Marcel Grigonis
É fato que nas últimas décadas e principalmente nos últimos anos houve inúmeras mudanças radicais na sociedade moderna, sendo que grande parte destas foram geradas pelo enorme desenvolvimento tecnológico ocorrido neste período. Já é provado que nos últimos 20 anos o mundo mudou mais do que se considerarmos os últimos 100 anos, fato esse de extrema importância para tentarmos entender o presente atual.
Iphone, GPS, MP3, MP4 Player, Blackberry são nomes que ouvimos diariamente, sem muitas vezes saber sequer o são e a cada 3, 4 meses novos lançamentos são introduzidos no mercado, se tornando em pouco tempo acessórios essenciais para a nossa vida moderna.
Ninguém mais fala hoje em dia em VHS ou fita cassete, como também nos lendários LP´s, substituídos pelos já ultrapassados DVD`s e CD´s, quem diria? Na verdade ainda se falam nestas “remotas” mídias, mas apenas por saudosistas e ou freqüentadores de sebos pelo centro da cidade.
Walkman, Discman, assim como o fax já eram! Até o ainda “vivo” telefone fixo de vez em quando nos assusta quando estamos em casa, já tão habituados e dependentes que ficamos dos celulares. Este é uma “droga tecnológica” que já se espalhou e viciou o mundo inteiro, tornando “antiquados” os poucos que ainda resistem e tentam sobreviver sem eles.
Até o relativamente novo no Brasil, o GPS, já está se tornando um item essencial para uma viagem, assim como as bagagens levadas para o passeio. E o GPS, além de ajudar os “perdidos para caminho”, muitas vezes até na própria cidade, como eu, ainda tiram uma preocupação a mais de quem viaja e não conhece a cidade ou local de destino. Mais prático, mais fácil, mais divertido!
Mas nem tudo é bom, trazido por essa “avassaladora onda tecnológica” dos últimos anos. Sendo assim, é difícil se imaginar nos dias de hoje sem internet ou muito menos sem o celular, por exemplo. Seria como estar sem um membro do corpo, certo?
Cada vez mais percebemos como escravos nos tornamos do celular. A qualquer hora, local ou momento você pode não só ser localizado, mas abordado, incomodado, preocupado, desconcentrado com a ligação recebida naquele instante. Isto acabou com a privacidade de todos e até com os “simpáticos recados” na secretária eletrônica do telefone de casa ou ramal do trabalho.Com a internet, a mesma coisa. Quem não consegue estar “on line 24 horas por dia”, se sente incompleto, desamparado de informações ou com a sensação de que não fez tudo o que deveria, tanto na parte profissional, como na pessoal. Mesmo quem atua na Área Comercial, se for numa visita ao cliente sem o Note book, por exemplo, parece que esqueceu sua alma no escritório e perde parte de sua confiança.
As novas gerações de crianças e adolescentes já nasceram nesta “era digital” e é tudo tão normal e mais fácil pra eles, lidar com estas constantes mudanças e invenções tecnológicas. É tudo natural e ao mesmo tempo menos inocente e saudável. Hoje em dia não se empina mais pipas ou joga-se bolinhas de gude nos buracos de areia. Joga-se sim Playstation ou Wii e estes videogames citados deixam “no chinelo” as versões que jogamos em nossa infância e adolescência, os agora clássicos Mega Drive ou Nintendo.
Como diz minha mãe diante de tantas “modernidades” na sociedade atual: “Se seus avós ressuscitassem, morreriam de volta diante de tantas mudanças que ocorreram em tão pouco tempo, muitas delas não pra melhor!”. E infelizmente, acho que é a pura verdade. Tanta coisa era mais simples antes, mesmo sem toda esta tecnologia atual. Será que ninguém fechava negócio antes sem o celular? Será que ninguém tinha amigos antes do ORKUT? Será que não haviam reuniões antes sem o Note book? Aulas sem vídeo-conferência, etc, etc, etc.
A vida era mais simples, sem tantas exigências, apetrechos eletrônicos, sem tanta burocracia e sem tantas enganações pelas empresas e seus produtos. A confiança era maior, nos funcionários, nos relacionamentos, nas amizades, sem os ORKUT da vida pra nos “entregar” ou sermos espionados.
Sem as câmeras de segurança nos vigiando em qualquer lugar, desde a empresa, nas lojas, na rua e até o prédio em que vive. Esse já é o até então futurista BIG BROTHER real, já imaginado e descrito pelo visionário escritor George Orwell, em seu livro clássico 1984, onde o cidadão seria vigiado 24 Horas por dia em seu comportamento, independente do lugar em que estivesse. Essa realidade já chegou, on line ou não.
Sendo assim, essas mudanças foram em boa parte benéficas para o desenvolvimento de vários segmentos, porém, até que ponto é saudável para um todo? Qual é o limite para a tecnologia e seu “uso correto”? Até que ponto não estamos nos tornando parte destas máquinas? As próximas gerações conviveram normalmente com estas máquinas e robôs?
Marcel Grigonis é economista de formação, mas gosta de opinar sobre cultura, esportes e tendências


#1 by enzo on novembro 25th, 2009 - 13:11
Não li, mas parabens vc é o cara. abs
#2 by nin on maio 5th, 2010 - 17:11
mtttt bom mesmo,to fazendo uma redação sobre isso e você me deu umas idéias rs.obg