O suicídio como saída

Marcel Grigonis

Um novo caso ocorrido recentemente, levanta à tona um assunto dos mais polêmicos e delicados para qualquer sociedade, o suicídio. No último dia 10 de Novembro, o goleiro da Seleção Alemã de Futebol, Robert Enke, de 32 anos se jogou em uma ferrovia na cidade de Hannover.

A notícia tomou o noticiário mundial e no último final de semana foi prestada uma grande homenagem ao ex-jogador, no estádio do clube em que estava jogando atualmente, o Hannover 96. Nesta cerimônia estavam presentes o técnico e o capitão da Seleção da Alemanha, além de vários dirigentes e celebridades esportivas do país e contou com mais de 40 mil fãs presentes, que foram prestar a última homenagem ao goleiro.

Diante deste fato, a questão é: o que levaria um profissional bem sucedido e no auge da carreira, vir a se matar?

O fato já foi confirmado como suicídio pelas investigações da polícia local e pela carta deixada pelo jogador e que sua esposa, acabou tornando público o conteúdo da mesma. Então, por que realmente pessoas cometem atitudes tão extremas e drásticas, dando fim a sua própria vida?

Devemos considerar que neste caso que Robert Enke já apresentava casos de depressão há vários anos, agravados ainda mais pela perda da sua única filha de 2 anos de idade em 2006, por problemas de saúde. Porém, a viúva comentou que ele estava melhor, mas apresentando recaídas eventualmente e que o amor de ambos não foi o suficiente para mantê-lo vivo.

Considerando que sua carreira profissional era bem sucedida, inclusive com passagens anteriores em grandes clubes europeus, como o Benfica de Portugal e o Barcelona da Espanha, Enke estava prestes a defender uma das mais tradicionais Seleções do mundo (Alemanha), na próxima Copa do Mundo ano que vem, na África do Sul.

Neste caso, então, provavelmente a situação familiar e a fraqueza da pessoa (e não do atleta) acabou levando-o a esta decisão extrema. Mas apenas podemos supor, já que somente ele sabia o real (reais) motivo(s) que o levaram a isto, apesar da carta escrita.

Mas o problema maior é que com certeza, não se trata de um caso isolado, nem só do esporte, nem só da Alemanha, nem é mais um “problema moderno” da sociedade atual, mas assim de um “problema antigo” do homem em geral (independente da sociedade) como ser complexo que é e assim age, de acordo com essa complexidade.

O mais curioso é que esta atitude de desespero é muito mais comum em países ricos e desenvolvidos. Países como a Rússia, China (em números absolutos/proporcionalmente, até pela enorme população que possui) o Japão (também por questões culturais), Estados Unidos, França e a própria Alemanha, apresentam altos índices de suicídio por ano.

Sendo assim, também países com altos índices de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), considerados com excelente nível de vida, como a Suécia, Suíça, Dinamarca e Nova Zelândia apresentam elevados índices de suicídio, principalmente entre os jovens destes países, fato mais preocupante ainda.

Mas por que isso? Sendo que teoricamente as populações dos países pobres e subdesenvolvidos teriam muito mais motivos para “justificar” tal atentado contra a própria vida, já que vivem em condições de vida bem inferiores a destes países ricos e desenvolvidos e sem o suporte adequado e suficiente do governo, por exemplo.

Uma “teoria” abordada, seria a de que a falta de dificuldades nestes países ricos e “de 1º Mundo”, não trariam desafios e perspectivas para os habitantes (principalmente os jovens) destes países citados. Durante minha experiência de vida na Europa, por 1 ano, conheci várias pessoas destes países e gostaria de tentar resumir este sentimento, com um breve relato de uma jovem alemã que eu conheci numa destas viagens.

Segundo esta “teoria”, resumindo seria: “Qual a perspectiva de um jovem alemão (ou sueco) logo após se formar? Provavelmente seria a de entrar numa grande empresa multinacional, já com um bom salário, após sua graduação, esta já financiada pelo governo. E caso este jovem venha a perder o emprego por algum motivo, passa a receber um auxílio do governo (espécie de seguro desemprego), muitas vezes ganhando até mais do que o salário anterior, que já era bom.” Ou seja, teoricamente uma vida fácil, sem dificuldades nem desafios!

Não quero com isso, assumir que esta “teoria” está certa ou errada, tampouco bancar aqui o juiz da razão, mas por que este índice de suicídio é proporcionalmente bem mais baixo em países como o Brasil, Argentina ou até mesmo em países pobres na África?

Talvez pelo fato de estarmos acostumados as dificuldades sócio econômicas e desde cedo darmos mais valor as conquistas e realizações pessoais, mediantes a todas estas dificuldades, além do fato de nossa cultura latina, geralmente mais otimista e “relaxada”.

Apesar da gritante diferença social, da pobreza, da tradicional e impune corrupção, das injustiças, sempre tentamos “dar um jeito na situação” e procurar ver o lado bom das coisas e ainda acreditar que o futuro será melhor.

Já em outras culturas mais conservadoras, em países nórdicos como Suécia, Noruega e Dinamarca, por exemplo, ou na própria Alemanha mesmo, este “jogo de cintura” é muito mais raro, assim como talvez a abertura para discutir assuntos polêmicos como este.

Mas o que levaria então o goleiro Enke a tal decisão? Desespero? Falta de Motivação? Falta de esperança? Um dos motivos alegados foi o medo do fracasso. Isto todo mundo tem, em diferentes fases e proporções, mas um profissional reconhecido, no auge da carreira e prestes a disputar uma Copa do Mundo por seu país? Estranho, mas só ele realmente para saber qual a real angústia o levou a esta decisão.

Sinceramente não sei o ponto de vista das outras religiões a respeito do suicídio, porém na Igreja Católica este fato é encarado como “pecado inafiançável”, o que condena a pessoa com passagem direta para o inferno, sem chance de arrependimento ou salvação.

Talvez esse também seja um dos motivos, para que sejam mais raros (estes casos no Brasil, país de população em sua grande maioria de católicos. Embora todos nós conhecemos  casos destes em nossas cidades.

Enfim, diante deste tema complexo e polêmico, acho que o mais importante não é julgar quem o fez ou tentar achar uma resposta como detetive. E sim pressupor que todos têm de ter algo ou alguém para servir de suporte e motivação nessas horas de desespero (seja uma religião, a própria família, sonhos e objetivos ainda por realizar, etc), que todos estamos sujeitos.

Marcel Grigonis é economista de formação, mas gosta de opinar sobre cultura, esportes e tendências

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  1. #1 by Thales Fernando Pires on janeiro 17th, 2010 - 18:32

    Creo eu que em paises ricos as pessoas refletem mais , pensam mais são menos dadas as supertições as crendices , dão mais valor a razão a inteligencia interpretam a cultura ao invés de fazer parte dela. E existe a pressão de serem melhores que os outros , ser mais capaz , mais inteligente e superior , com a promessa de deixarem seus nomes cravados na historia com algum feito , como um troféu eterno. Se sentem livres mentalmente com o ensino privilegiado de seus paises ao contrario dos paises pobres que possuem taxa de analfabetismo alta e educação de baixa qualidade , é como se estivessem livres das correntes que os prendiam na caverna , os impedindo de ver o que havia lá fora.
    Por isso eu digo todo ato em busca de liberdade tem sua consequencia é como uma represa que se estoura causando um enorme transtorno. Não é de se adimirar que maioria de suicídios registrados são de homens cultos com formção academica , sábios , poetas , romancistas , politicos e etc …..
    pessoas que se livraram das correntes da ignorância mais pagaram o preço da liberdade , porque quanto mais se pensa mais nos aproximamos da loucura .
    Só a simplicidade e a humildade traz satisfação nessa vida tribulada as outras coisas são as quais os homens buscam incansavelmente mais se perdem no tempo.

    Melhor é um cão vivo do que um leão morto !

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